Tomaz Klotzel.

tomaz_klotzel

Sou artista multimídia, dedicado à criação de narrativas poéticas audiovisuais, sonoras ou em imagens still, por meio de interfaces tecnológicas. Bacharel em fotografia still, técnico de som direto, montador de filmes e performer. Nasci em Pelotas/RS, em 1979. Moro em Porto Alegre.

 

Minhas obras foram apresentadas em exibições individuais e em diversos festivais: Directors Lounge Berlin (Berlim, Alemanha, 2011), Oslo Screen Festival (Oslo, 2011), Kurye Film Festival (Kurye, Turquia, 2011), Kinolounge (São Paulo, 2010 e 2008), InSonora (Madrid, 2009), Mostra de Live Cinema (São Paulo, 2009), Mostra de Cinema ao Vivo do Festival do Rio (Rio de Janeiro, 2007).

 

Participei de exposições, como Brasiliens Gesichter (Koblenz, Alemanha, 2005), Olhares Paulistanos (São Paulo, 2004) e Luzenças (São Paulo, 2003), com trabalhos fotográficos em que utilizei diferentes suportes, além do papel fotográfico convencional, como papéis artesanais, e distintos métodos, como processos fotográficos do século XIX e outdoors comerciais.

 

Meu campo prioritário de pesquisa é o formato de performance chamado Cinema ao Vivo / Live Cinema. Tenho desenvolvido parcerias com artistas do teatro ou da dramaturgia e da música erudita contemporânea, em experiências que frequentemente são captadas e inseridas em mídias eletrônicas, onde são manipuladas, fazendo aflorar musicalidades: ritmo, melodia e poesia.

Os meus trabalhos podem ser conhecidos no site: http://tomazklotzel.com/

 

Luiz Eduardo Soares

LUIZ

Sou professor da UERJ, antropólogo e escritor. Licenciado em Literatura, mestre em antropologia social, doutor em ciência política, com pós-doutorado em filosofia política. Nasci em Nova Friburgo, em 1954. Moro no Rio de Janeiro.

 

Fui professor do IUPERJ, da UCAM e da UNICAMP, pesquisador do ISER, pesquisador visitante do Vera Institute of Justice, de New York, e visiting scholar da Kennedy School of Government da Harvard University, da Columbia University, da University of Virginia e da University of Pittsburgh. Fui Secretário Nacional de Segurança Pública (entre janeiro e outubro, de 2003) e atuei na gestão pública estadual e municipal.

 

Entre seus livros, estão: Meu Casaco de General: 500 dias no front da segurança pública do estado do Rio de Janeiro (Cia das Letras, 2000), finalista do prêmio Jabuti; Cabeça de Porco, com MV Bill e Celso Athayde (Objetiva, 2005); Elite da Tropa, com André Batista e Rodrigo Pimentel (Objetiva, 2006); Legalidade Libertária (Lumen-Juris, 2006); Segurança Tem Saída (Sextante, 2006); Espírito Santo, com Carlos Eduardo Lemos e Rodney Miranda (Objetiva, 2009); Elite da Tropa 2, com André Batista, Cláudido Ferraz e Rodrigo Pimentel (Nova Fronteira, 2010); Justiça: pensando alto sobre violência, crime e castigo (Nova Fronteira, 2011) e Tudo ou Nada; a história do brasileiro preso em Londres por associação ao tráfico de duas toneladas de cocaína (Nova Fronteira, 2012).

 

Em 2009, minha peça Confronto, escrita em coautoria com Domingos de Oliveira e Márcia Zanelatto, foi montada sob direção de Domingos de Oliveira. No primeiro semestre de 2014, a peça, Entrevista com o Vândalo, será encenada com direção de Marcus Vinicius Faustini. O mesmo diretor montará, no segundo semestre, minha adaptação teatral de Tudo ou Nada.

 

Escrevi a novela gráfica, História de uma amizade, em coautoria com o artista gráfico Marcus Wagner, que será publicada em 2014.

 

Outros livros meus e informações sobre minha trajetória podem ser conhecidos no site: www.luizeduardosoares.com

 

***

 

Por que Depois de Junho? De que desejo nasceu este site? Por que entrevistas?

Os antropólogos valorizamos as entrevistas longas, serenas, em profundidade, nas quais os silêncios são eloquentes e a linguagem corporal, loquaz. Nelas, buscamos explorar o que excede a informação e transcende os sinais conscientes. Atentamos para o que vem a nós soprado pelo que se diz, murmurado entre os sons e seus ritmos. Erguemos nossas antenas perceptivas e ativamos a inteligência disciplinada para captar o que atravessa as palavras, as crenças, as ideias, os valores, mas não se esgotam nesses continentes, nem se resignam a representar seus conteúdos. Procuramos o que não sabemos, ou seja, em certa medida –e não hesito em afirmá-lo ainda que soe incongruente com as pretensões epistemológicas da disciplina–, não sabemos o que procuramos. Essa postura nos afasta das pesquisas nas quais os pesquisadores já sabem o que encontrarão. Buscam apenas confirmações. Ou, em versão moderada do mesmo processo, procuram excluir hipóteses até identificar aquela que resiste ao jogo das eliminações. Portanto, a conclusão já era conhecida. Era, pelo menos, uma hipótese plausível entre outras. Faltava certificar-se, afastando alternativas concorrentes. A aventura cognitiva na antropologia é mais radical, o que tende a torná-la mais incerta, menos sujeita a controles metodológicos e menos apta a garantir segurança a seus praticantes, seus leitores, suas obras.

Exercendo esse ofício, a antropologia, entrevistei muita gente em distintos contextos. Descobri que esse postar-se, desarmado, diante do outro, aproximava a prática antropológica de uma experiência tão banal e corrente quanto exigente e radical: o diálogo, mas não a troca de ideias, não o duelo argumentativo, não o jogo persuasivo. O diálogo digno desse nome, o encontro humano, a abertura mútua que revela e apreende a extraordinária riqueza pluridimensional da pessoa, em sua singularidade. O entrevistado que generosamente aceita contar sua história tal como ela lhe aparece, que dispõe-se a pensar, no momento em que se lhe dirige uma pergunta, aquele que aceita refletir sobre si ou sobre um tema sensível sem o artifício retórico defensivo do já sabido repetido em fórmulas, esse entrevistado, ou essa, emerge diante do entrevistador e do espectador como um personagem inusitado.

O personagem singular não comprova teses, não explica teorias, não ensina. Antes, inaugura um campo novo de interrogações e possibilidades, ampliando o repertório de possibilidades para a invenção de si do ser humano, expandindo o estoque desse material precioso de que se faz e se alimenta a imaginação biográfica prospectiva e mnemônica –sim, porque a memória se cria como os projetos de futuro. As narrativas sobre nós mesmos se desdobram, tecendo-se os fios de relatos alheios, enredando-nos em nós na trama coletiva da história social.

Por isso, talvez a literatura e a dramaturgia não estejam distantes do processo cotidiano em que nos religamos uns aos outros, conversando, reiventando e intercambiando recordações e relatos e fabulações, para as quais a arca das civilizações guarda tesouros, nas religiões, nas mitologias, nas narrativas que herdamos.

A entrevista conduzida em um tempo estendido e sereno, orientada não para a obtenção de respostas específicas a perguntas específicas, mas para a criação de condições que permitam a emergência da pessoa, pode proporcionar momentos de beleza, encantamento e descoberta. Não há obra da arte ou da ciência mais bela e sofisticada, mais sublime e mobilizante, mais emocionante e reveladora, do que a pessoa, em sua singular complexidade multidimensional.

Nosso propósito é gerar esses momentos de beleza e conhecimento, estimulando iniciativas nos espectadores de indagação e autoconhecimento. Por isso, não basta gravar imagens. Por isso, é necessário que um artista, um video-artista grave as entrevistas. Por isso, propus a Tomaz Klotzel que se tornasse parceiro nesse projeto. A iniciativa original foi de Miriam Guindani, produtora deste site, e nosso ambiente foi criado por Willian Gaertner.

E por que “Depois de Junho”? Porque a sociedade brasileira está se transformando em profundidade, mas nem sempre o movimento é perceptível. Nossa hipótese é que esse processo pode revelar-se pela mediação das histórias de vida, testemunhos e reflexões de personagens especiais que entrevistamos.

 

Equipe

Miriam K A Guindani: produção

Vicente Guindani: assistente de Edição

Willian Gartner: webdesign – azuldofirmamento.com.br